Pular para o conteúdo principal

Valeu a pena voltar?

O Brasil está totalmente decadente. Não importa onde se more que sempre a maioria da população será de pessoas de baixo discernimento, reféns das regras sociais e indispostas a se evoluírem intelectualmente.

E me baseando nisso, a pergunta que não quer calar: valeu a pena voltar? Hoje completam 4 anos de meu retorno a Niterói, cidade onde passei parte da infância e toda a minha adolescência.

Não se responder a essa pergunta. A Niterói que eu estava ansioso para voltar a morar não era bem essa Niterói de hoje. Pelo jeito só sobrou ruínas da cidade onde fui criado. Não consegui retomar a maior parte das coisas boas da Niterói que deixei em 1990 e ainda perdi o que havia de bom em Salvador, mantendo os mesmos problemas que tinha e via quando vivia na capital baiana.

Houve avanços sim no meu retorno a Niterói em 2008. Mas os motivos que me fizeram voltar para cá não foram alcançados. Claro que quem vive no sudeste está menos isolado culturalmente. É aqui que as coisas acontecem. Desde que retornei, já fui a inúmeros eventos que não teriam condições de acontecer na capital baiana. E aqui tem muito mais opções de lazer, embora lentamente esse defeito está sendo corrigido em Salvador.

Na vida social, houve o maior prejuízo. Alguns colegas de adolescência que eu pude reencontrar estão todos mudados. Não somente viraram adultos como resolveram jogar suas velhas qualidades no lixo, em prol da sobrevivência. Briguei com os busólogos cariocas por causa da teimosia deles em não se preocupar com melhorias na parte operacional (burrice minha: busólogo não se interessa pela parte operacional dos ônibus, somente os veículos em si). 

Sobre a vida afetiva confirmei um mito popular que diz que as baianas são mais demonstrativas que as cariocas. Mesmo assim, se as baianas já não eram tanto afetuosas comigo, imagine as niteroienses.

Amigos mesmo só as pessoas que sempre tiveram afinidades comigo, tanto lá como aqui.

Além disso, o povo daqui não perde muito em ignorância para os baianos. Se os baianos são inteligentes em uns aspectos, são ignorantes em outros. O mesmo acontece com os niteroienses, ocorrendo inversão em alguns casos.

Se por um lado os baianos são mais realistas em mobilidade urbana e cuidam melhor da saúde (em sua maioria, não fumam e consomem formas mais sadias de arroz, feijão e farinha), os niteroienses tem melhor gosto musical (mesmo que não seja perfeito) e se vestem com muito mais elegência.

Mas quanto a defeitos o que se pode destacar é que, se os baianos lhe obrigam a gostar de axé-music, os niteroienses lhe obrigam a gostar de futebol. Nos dois casos, recusar é uma ofensa. Neste aspecto, as duas cidades perdem, naquele esquema de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

De qualquer forma estou aqui. Calcular perdas não vai tornar as coisas melhores. Fiquemos com os poucos ganhos. O jeito é reconhecer que na verdade, não voltei para Niterói e sim me mudei para uma cidade nova e inédita chamada Niterói e procurar extrair o melhor dela nos aspectos que eu puder alcançar.

Respondendo a pergunta que titula esta postagem: valeu sim. valeu a pena voltar. Mas não para retomar experiências antigas e sim começar do zero uma nova vida. Como se eu nunca tivesse conhecido Niterói.

----------------------------------------------------
OBS: A foto que ilustra esta postagem foi editada de propósito por mim. Mostram localidades muito próximas de prédios onde morei, na última residência de salvador e na atual de Niterói. Em primeiro plano, o supermercado GBarbosa (que eu frequentava muito), no bairro do Costa Azul, Salvador, a poucas esquinas de onde eu morava. No detalhe, a Rua Santa Rosa, bem na frente do prédio onde eu moro atualmente, em Niterói e onde foi escrita esta postagem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bola Quadrada

Mais chato do que um jogo de futebol, onde sou obrigado a aguentar um monte de desocupados correndo pra lá e pra cá com uma bolinha e em alguns momentos ouvir muita gente berrando feito alce no cio, s o mente os programas de debate esportivo. Neste tipo de programa, personalidades igualmente desocupadas e sem ter assunto para falar ficam tentando descobrir o sexo da bola, em conversas pseudo-intelectualizadas na tentativa vã de encontrar algo que justificasse a importância do futebol para o brasileiro. Chatoooo... Aí imaginei um programa de debate esportivo onde todos os participantes, sem exceção, detestam futebol. Obrigados pela emissora a apresentar um "programa de índio" como esse, claro que não iam seguir o roteiro e romperiam com qualquer tipo de zona de conforto para ter que fugir daquilo que eles mais detestam e por isso mesmo, não entendem. Com vocês, o Bola Quadrada, o primeiro programa de debates sobre futebol, entre caras que detestam futebol. " Apresentador ...

Kit Kat

Katherine. Ela é o que se pode chamar de surpreendente. Por muito tempo nem prestava atenção nela. Puxa, que erro!  Estava diante daquilo que eu sempre procurei para amar. Como pude ignorá-la? Katherine. Expressão máxima da meiguice, mesmo adulta, continua a exalar aquela meninice doce, típica das garotas mais românticas. Algo raro de se encontrar nas mulheres atuais, com o coração endurecido pelo feminismo mais misândrico. Como ela conseguiu ser diferente? Katherine. Quando ela aparece, parece que o sol se abre. Mesmo em tempestades mais hostis, ela é perfeita para se agasalhar comigo em uma cama quentinha. Bem coladinhos, sob o edredon do amor. Katherine. Sua beleza é impressionante. Mesmo assim, surpreendente. Ela tem aparência provocante. Sua estampa sensual contrasta deliciosamente com o jeitinho gracioso de uma menina que se recusa a crescer. Mas cresce maravilhosamente. Como mulher e como menina.  Katherine. Como você pode existir? Como a natureza teve a audácia de cria...

A Solidão não é tão ruim assim

Por Marcelo Pereira Vivemos em um tempo muito difícil. Além da correria para correr atrás do pão de cada dia, ainda vemos muitas injustiças e muitas exigências feitas muitas vezes sem necessidade. Essas coisas acabam por deixar as pessoas cada vez mais insensíveis, se tornando e fazendo outras pessoas infelizes em relação ao amor, sobretudo se fizeram escolhas erradas para uma vida a dois. Sabem de uma coisa? A Solidão não é tão ruim assim. Como ela já é minha amiga íntima de longas estradas e minha companheira mais fiel, vou me referir a ela usando letra maiúscula. Claro que eu preferia viver acompanhado, ainda mais num mundo que considera a vida a dois como sinônimo de felicidade (o que é um erro, comprovado por muitos casais infelizes) e que cultua o sexo o tempo todo. Mas as exigências abusivas que o sistema social me faz, os equivocados métodos de conquista, o excesso de mulheres comprometidas e o aparecimento de pretendentes indesejadas, acabam criando uma...