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Quem vê cara, não vê coração... nem cérebro

Por Marcelo Pereira

Num belo dia, uma mulher linda e culta passa perto de um rapaz belo, de boa aparência, mas mestiço, predominantemente branco e de média estatura. Ele usava roupa decente, mas sem grife.

Ele passa por ela e olha para ela com simpatia soltando um belo sorriso. A moça o ignora provavelmente pensando que o rapaz, por não ser branco e usar roupas caras, tenha baixo nível intelectual.

A mesma moça, mais adiante, passa perto de um outro rapaz, branco, alto e que usava roupas e tênis de grife. O cara olha para ela e ela sorri para ele. Ele, ao perceber a reação positiva, a convida para sair e ela aceita.

Ao chegar a hora do encontro, feliz da vida, a moça, usando a melhor roupa, vê o rapaz branco também com seu melhor - e caro - terno (sem gravata - o evento era descontraído) a esperando, perto de seu carrão igualmente caro.

Ao perguntar para o rico rapaz branco onde iriam, ele falou que seria uma surpresa.

E que surpresa: um baile "funk" na mansão de um amigo, com muita bebida, drogas, brigas, gente fútil gritando, gente fútil transando nas escadas e muito palavrão nas conversas, apesar da excelente aparência dos convidados e de suas caríssimas roupas. Ao chegar, o rapaz branco ainda dá um arroto, após cumprimentar seus "nobres" amigos.

Enquanto isso, o belo mestiço, desprezado pela moça, está na varanda de seu humilde apartamento, sozinho, lendo tranquilamente um livro de Jean Paul Sartre, ao som de um bom disco de Keith Jarrett, tomando um delicioso mate.

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