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Uma experiência e sua consequência

Por Marcelo Pereira

OBS: Foto puramente ilustrativa. O cara da foto nada tem a ver com a estorinha.

Celso era um cara extrovertido e boa pinta. Bonitão, alto e relativamente robusto era uma pessoa amável. Altruísta ao extremo, adorava ajudar os outros. Celso nasceu com a ideia de que iria ajudar os homens a escaparem da solidão.

Nunca negava ajuda. Tinha uma namorada firme, quase noiva, que conseguiu graças a seu carisma e facilidade de conquista. Mas como não era egoísta, decidiu repartir essa facilidade e a felicidade de estar acompanhado com os homens que encontrava pela frente. E eram muitos solitários a lhe pedir ajuda.

Celso fazia de tudo para que nenhum homem ficasse solitário. Não se limitava a ensinar as táticas de conquista. Nem se limitava a seguir regras sociais. Procurava sempre analisar cada caso e agir ou aconselhar de acordo com o tipo de limitação do homem a ser auxiliado. Chegava até a fingir que era amigo intimo de alguns deles para que a conquista pudesse ser facilitada.

Celso se sentia feliz em fazer os outros felizes. Sua missão de "cupido encarnado" era o que mais gostava de fazer e com isso sempre procurava evitar lágrimas nos olhos de outros homens.

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Otávio nunca se dava bem com as mulheres. Não era feio, mas era desengonçado. Míope, com má coordenação motora, Otávio era muito tímido, tinha déficit de atenção e um leve autismo. Mas queria muito namorar.

Suas limitações e as exigências sociais lhe impediam de conquistar as mulheres que queria. Muitas delas eram comprometidas, pois outros homens lhe passavam a perna. Quando tentava conquistar alguma garota, Otávio sempre se dava mal, pois seus defeitos lhe faziam cometer muitas gafes que espantavam as mulheres. Uma pena.

E o pior, ninguém lhe ajudava a conquistar nenhuma mulher. Ninguém lhe apresentava alguma mulher ou lhe dava dicas de conquista. Quando davam, eram dicas falsas, que só atrapalhavam ainda mais. Parecia que os outros homens se divertiam com as gafes que Otávio cometia e com o fato de estar solitário. Havia bullying de sobra para Otávio se tornar uma vítima. Isso era bom para os outros homens. Afinal, sobrava mulheres para eles.

Ele foi assim por muito tempo na vida adulta. Até que um dia adoeceu (a depressão não lhe estimulava a cuidar da saúde) gravemente e ficou hospitalizado. Antes de morrer, cedo, com cerca de quase 50 anos de idade e totalmente solitário, jurou para si mesmo:

Se eu voltar a viver e for um conquistador, vou ajudar os outros a nunca
ficarem sozinhos. Farei o que nunca fizeram por mim.

Otávio falece dias depois de ter falado esta frase, após meses internado por causa dessa doença grave.

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Muitos anos depois, nasce Celso, um lindo bebê sorridente e cativante. Era um menininho alegre, que conquistava a todos com facilidade e sempre gostava de ver os outros sorrindo. Um menino que cresceria sempre ajudando os outros meninos, mesmo nas brincadeiras mais ingênuas.

E aí, o que vocês tiram dessas duas estórias? Elas estão relacionadas? Certamente, é difícil negar essa pergunta...

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